
Foi na década de 90 que ouvi falar pela primeira vez de Esclerose múltipla. Por motivos profissionais tive que fazer uma entrevista sobre a doença. Confesso que ao preparar o meu questionário fiquei surpreendido. A Esclerose múltipla afecta cerca de 5 mil portugueses. Podemos pensar: não são muitos. É verdade que há doenças que afectam muitos mais. Mas, talvez, por isso, por causa dos números, a doença só tenha começado a ser mais divulgada de há alguns anos para cá. E é preciso fazê-lo porque estamos perante um problema que não afecta só o doente mas todo o agregado familiar. Como explicar, por exemplo, a uma criança que a mãe ou o pai sofrem da doença sendo que as mulheres, pelas estatísticas, são as mais atingidas; como explicar no emprego que, nas fases agudas, não conseguimos desempenhar as nossas funções da mesma forma; como, no meio deste turbilhão, conseguimos arranjar forças para seguir em frente quando no futuro podemos vir a depender totalmente de outros. É certo que os avanços da medicina já permitem aos doentes ter qualidade de vida. Mas, também, para isso é necessário que o diagnóstico seja feito de forma atempada; que o sistema de saúde consiga dar as respostas que deve dar; que todos nós, cidadãos, estejamos conscientes do que é a Esclerose Múltipla e que podemos sempre dar o nosso contributo. Por mais pequeno que seja.
João Tomé de Carvalho.
jornalista, RTP



