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domingo, 20 de junho de 2010

Chegou ao mercado o primeiro medicamento com canábis


Vende-se a partir desta segunda-feira no Reino Unido um medicamento composto por canábis, que vai servir para tratar doentes com Esclerose Múltipla.

O Sativex, da farmacêutica GW, é o primeiro medicamento com vestígios da planta a ser autorizado nas farmácias do mundo inteiro, passando assim a substituir o consumo de canábis em cigarros – cuja venda estava já autorizada como analgésico para os casos mais graves da doença.

O medicamento, que esteve em testes de laboratório nos últimos 11 anos, foi aprovado na passada sexta-feira pela Agência Reguladora de Medicamentos do Reino Unido (MHRA) e será apenas prescrito a os doentes cujos tratamentos inicias não estejam a resultar e mediante receita médica. O Sativex será vendido a um preço de cerca de 13€.

Nos EUA o Sativex está a ser testado como atenuante de dor para os casos de cancro terminal e, por isso, os médicos americanos estimam que o medicamento possa vir a ser um dos mais vendidos do mercado. Também na Europa, onde os tratamentos para a Esclerose Múltipla gastam aos cofres dos Estados mais de 500 milhões de euros por ano, o Sativex apresenta-se como uma alternativa eficaz, podendo mesmo poupar 100 milhões anuais aos serviços Nacionais de Saúde.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Catalunha: Doentes graves melhoram com cannabis

Mais de metade dos pacientes submetidos a tratamento com cannabis, na Catalunha, no âmbito de um programa pioneiro lançado em 2005, apresentaram uma reacção positiva e grande parte mostrou melhorias no seu estado de saúde.

O uso de uma droga - cannabis - como medicamento surgiu da «necessidade de tratar sintomas resultantes de patologias muito graves em que foi fraco o resultado dos tratamentos convencionais», informou à Lusa a «Conselleria» (departamento) de Saúde do executivo catalão.
O Programa do uso terapêutico de cannabis na Catalunha foi lançado em 2005 e deu origem a dois estudos que consistiram em acompanhar doentes aos quais foi ministrado um medicamento fabricado com extracto de cannabis.
Um dos estudos piloto analisou o tratamento de dores em várias patologias, entre as quais a esclerose múltipla.
O outro debruçou-se sobre o tratamento das náuseas e vómitos induzidos pela quimioterapia e foi concluído em finais do ano passado.
Os pacientes com esclerose múltipla manifestaram «evidentes melhorias nas dores», segundo os resultados divulgados à Lusa pela chefe do Serviço de Planificação Farmacêutica de Barcelona, Neus Rams.
«A proporção de doentes com dor intensa ou intolerável passou de 66 por cento no início do estudo para 35 por cento na última visita», adiantou aquela responsável.
Um terço dos pacientes com náuseas no ciclo de quimioterapia prévio ao início do estudo não as sentiram nos ciclos sucessivos de tratamento. Continuaram com náuseas 67,7 por cento mas a duração e a intensidade diminuiu no final do tratamento. Os vómitos deixaram de se verificar em 21,7 por cento dos doentes.
Os 73,9 por cento que continuaram a sofrer esse sintoma foi também com menos duração e intensidade, segundo resultou do estudo.
Os pacientes seleccionados para fazer parte deste estudo foram pessoas em estado grave com doenças crónicas de grande evolução, com má reacção aos tratamentos habituais e baixa qualidade de vida.
O medicamento usado é um extracto de cannabis autorizado com o nome de Sativex. Este fármaco é permitido no Canadá como coadjuvante no tratamento da dor em pacientes com esclerose múltipla.
Neus Rams sublinhou que «esta iniciativa surgiu de uma necessidade social de uso terapêutico de cannabis» e que é «um estudo independente» promovido pela Administração Pública.
Os promotores consideram que a iniciativa foi «enriquecedora» e acham que seria positivo iniciar outros estudos do género. Até lá, os resultados dos estudos realizados permitem continuar a usar os tratamentos alternativos nos doentes que não reagem bem aos tratamentos habituais.

Fonte: Agência Lusa / Diário Digital