sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Governo quer multar utilização abusiva de fármacos gratuitos nos hospitais


O Ministério da Saúde quer penalizar os utentes que abusem da dispensa gratuita de medicamentos nos hospitais. A medida já saiu em Diário da República, mas ainda será alvo de um diploma a explicar como será concretizada, o que deve acontecer até Março deste ano. A ideia é cobrar aos utentes um valor, que ainda não está definido, quando não cumprem o plano terapêutico.


Fonte do Ministério da Saúde explicou ao mesmo jornal que existem “situações em que o doente, depois de lhe ter sido disponibilizado gratuitamente os medicamentos na farmácia do hospital, volta a solicitar medicamentos, apesar de face à prescrição anterior e ao registo existente, dever ter ainda medicação em seu poder”.


O problema existe, embora não esteja quantificado. Maurício Barbosa, bastonário da Ordem dos Farmacêuticos, diz que os colegas que trabalham nas farmácias dos hospitais são confrontados diariamente com situações de utentes que não cumprem o plano terapêutico.


“Não há números sobre o assunto, mas todos os farmacêuticos hospitalares reportam essa sua experiência do terreno de grande incumprimento da terapêutica por parte dos doentes”, afirma o bastonário.


Maurício Barbosa explica que se trata de doentes que recebem medicamentos apenas na farmácia hospitalar. "Estamos a falar de doentes com sida, oncológicos, com esclerose múltipla”.


O bastonário concorda com o Ministério da Saúde quanto à necessidade de resolver ou, pelo menos, minorar o problema, até porque os medicamentos em causa são muito dispendiosos. Mas não concorda com a ideia de aplicar multas aos doentes incumpridores.


“Os farmacêuticos naturalmente não vão estar disponíveis para aplicar multas aos doentes. Os farmacêuticos, por definição, são profissionais de saúde, que estão sempre disponíveis para ajudar os doentes e, portanto, não me parece que esta seja a via”, esclarece.


O bastonário da Ordem dos Farmacêuticos sublinha que “o problema está bem diagnosticado”, mas a solução não é “a mais adequada”. Maurício Barbosa acrescenta que há outras alternativas, como a toma dos medicamentos em presença, para evitar o uso abusivo dos medicamentos para algumas doenças crónicas.


Fonte: Diário Económico, Público.pt, Rádio Renascença, RCM Pharma



Nota do Gang da EM:


Mas é impressão nossa ou está mesmo tudo ao contrário neste país? Multas aos doentes? Já não basta o dinheirão que temos de pagar por medicamentos paralelos, fora injecções? E "toma de medicamentos em presença"? Então isso quererá dizer que, todos os dias (por exemplo) teremos de ir ao nosso hospital para apanhar a injecção "presencialmente", como eles dizem?



3 comentários:

Carlos disse...

A fonte do Ministério da Saúde, só foca os doentes com HIV, esclerose Múltipla e oncológica, não se refere a doentes com Psoriese,Artrite Reumatóide e Espondilose Equilosante, normalmente tratados com medicamentos beológicos.
Gostaria de saber mais algo sobre o mesmo assunto. Este é um bloque que frequento com regolaridade e feito com objectividade e competência. OBRIGADO pela vossa sempre actual informação.

Anónimo disse...

Se o irmão do nosso presidente da républica tivessse que pagar aquele/s medicamentos, já a história era diferente.

R.B. NorTør disse...

Eu gostava de me focar nesta parte: "(...)apesar de face à prescrição anterior e ao registo existente, dever ter ainda medicação em seu poder"

Pela minha experiência de quem acompanha e vive com uma doente, é quase obrigatório ir ao Hospital enquanto ainda estão lá por casa 2/3 embalagens. A verdade é que às vezes o injector não ajuda, outras a solução não solubiliza, enfim...

Como é que, face às variáveis do tratamento, se extrapola de "aqui no papel diz que ainda tem" para "você é um malandro que não cumpre o tratamento"?